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sábado, 9 de julho de 2016

A noite do fim



 Madrugada
Todos de frio tremiam
Uivos cortavam a noite
Trasgos  e bruxas
O amanhecer temiam
Na fria noite de inverno
Todos são temerosos
Tolas superstições
A todos torna medrosos
E assim as noites transcorriam
Enquanto corvos e morcegos
Avizinhavam-se a tumba escarlate
lobos uivavam na pradaria
Anunciando o banho de sangue
Que logo  ocorreria.
Engana-se se espera regozijo
Não era festim
Talvez destino
era o uivo um lamento
ante gozo homicida
Da emoção da caçada.
Do mal solto no mundo.
Homens, mulheres e crianças
Todos de garganta rasgada
Banho de sangue
Ninguém do frenesi sanguinário
seria essa noite poupado.
Tudo pronto.
palco armado
O vento assoviava por entre as frestas das casas
Um lamento gélido
Desesperançoso
E os defensores? Por onde andariam?
Enquanto isso
Na pradaria os lobos uivavam.
O medo apossara-se
Das bestas lupinas
As crianças no berço
Solapavam em pesados pesadelos
Os adultos reunidos na casa principal, as defesas tratavam
E pelos cantos escondidos
Os jovens se namoravam
E assim passaram a noite
De medo trancafiados
Corações acovardados.
O vento não  dera trégua
Soprara  a noite toda
Assoviara uma funesta musica
O frio,  insuportavelmente
Congelante. Gelava até os ossos dos seres viventes.
As sombras esgueiravam-se
Por entre ruelas e vielas
Pareciam brotar da própria terra.
Nada se via
Apenas olhares rubros.
De onde vieram?
A que vieram?
Antes que tais perguntas fossem respondidas, gritos ouviam-se ao longe. Raios faiscavam por todo o lugar, um clarão anilado, temeroso, sobrenatural que em nada atenuava a sede de sangue das criaturas de sombra. Demônios incorpóreos feitos da mais densa e pura escuridão.
Cada casa por onde passavam, extinguiram  a luz das lareiras, das velas de sebo de Carneiro,
Tudo extinguia-se a presença de tais criaturas. Mas a luz que buscavam, era a centelha divina de cada ser vivo, fosse humano ou animal. A divindade em cada ser vivo da criação. Este era por decerto o alimento de tais seres.
Não restou um ser vivo no vilarejo.
A gritaria durou breves instantes.
Tão rápido quanto chegaram, desapareceram na fria terra coberta de neve. Deixando apenas a breve névoa do sangue quente
Cobrindo a neve de vermelho rubro.
Ato consumado.
Nada mais vive.

O vilarejo
Do Alto brilhou
Intenso clarão
Nada se moveu
Nem ínfimo sinal de vida
Tão silencioso quanto o sepulcro
Nem mesmo uma alma por testemunha.
Onde antes havia vida
Agora apenas o silêncio
E os lobos que antes uivavam
Afogaram-se em seu sangue

Calmaria
Após ato consumado
O vento amainou
Silêncio na pradaria
Os lobos silenciaram
Tudo a volta
Tornou-se silêncio
Nem mesmo um grito
Ou um gemido
A expectativa.
O medo.
O murmurinho das pessoas
Trancafiadas, com medo
Silenciara.
Todo virou silêncio
A pradaria manchada
De um vermelho rubro vivo
Das adjacências, nas vilas vizinhas
Todos comentariam ao longo da história humana. De como um vilarejo inteiro desapareceu, restando apenas carcaças e sangue.
E assim desaparece da face da terra o vilarejo
De pobres colonizadores ingleses,que vieram desbravar o novíssimo mundo
A América.
Apenas as cabanas vazias foram encontradas no outro dia. E o sangue dos lobos na pradaria e na aldeia. Nada mais. Apenas um silencio maldito. Nem mesmo os pássaros passavam de revoada sobre o vilarejo morto.
Apenas uma palavra escrita em sangue em muitas arvores secas e retorcidas como se mortas a décadas:
Croatan

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